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Portugal e seus nômades digitais

Com a pandemia da COVID-19 chegando ao fim e restrições de viagem começando a diminuir, pessoas estão migrando, cada vez mais, para destinos de trabalho remoto por todo o mundo. Embora essa migração tenha iniciado há alguns anos, a pandemia contribuiu significativamente para a aceleração de uma cultura de “nômades digitais”. Somente nos Estados Unidos, a população de nômades digitais teve um aumento impressionante de 112%, crescendo de 7,3 milhões para 15,5 milhões nos últimos dois anos. 

Preferindo o trabalho à distância com o auxílio da tecnologia, os nômades digitais estão normalmente na faixa dos 30 anos, trabalham principalmente como autônomos (embora o número de trabalhadores formais esteja sempre aumentando), desejam permanecer em um local de 3 a 6 meses e, muitas vezes, são autodidatas na vida nômade digital.

No entanto, a mudança para uma cultura nômade digital não é uniforme em todo o mercado de trabalho. Geralmente, funcionários de escritórios têm o privilégio de poder trabalhar à distância, assim, o mercado remoto conta com a forte presença de profissionais da área de marketing, desenvolvedores, designers e executivos de e-commerce. Uma pesquisa realizada pela McKinsey revelou que as empresas adotaram rapidamente tecnologias de digitalização e automação no início da pandemia, com setores como serviços financeiros e tecnologias e países como Estados Unidos e Índia na liderança. 

À medida que novas tecnologias são normalizadas no local de trabalho, como as videoconferências e o compartilhamento de arquivos, empresas como Facebook, Google e Twitter passam a planejar melhores oportunidades de trabalho remoto para seus funcionários. A Meesho, uma empresa indiana de e-commerce, adotou recentemente um modelo permanente de trabalho “sem fronteiras”, possibilitando que os funcionários escolham onde gostariam de trabalhar: em casa, no escritório ou em qualquer outro ambiente.

O mais novo destino no roteiro do nômade digital

A busca pelo trabalho remoto contribuiu para o surgimento de fluxos de nômades digitais que desejam trabalhar de qualquer lugar, como do México ao Rio de Janeiro e de Los Angeles a Lisboa ou até mesmo na Ásia. Curiosamente, Portugal está se tornando o país preferido dos nômades digitais de todo o mundo. O NomadsList.com, um portal desenvolvido pela e para a comunidade de nômades digitais, incluiu duas cidades portuguesas (Lisboa e Porto) entre os cinco melhores destinos para o trabalho remoto, sendo Lisboa a primeira no ranking. Portugal, principalmente Lisboa, tem uma próspera comunidade de nômades digitais e vários grupos de networking, como o Digital Nomads PT, o Lisbon Digital Nomads, entre outros. O Lisbon Digital Nomads and Expats, um grupo do Facebook, tem por volta de 29.000 membros que promovem encontros semanais para se conhecer ou apenas para relaxar e sair juntos. 

Localizada na foz do Rio Tejo, Lisboa (capital de Portugal) é uma cidade global que funciona como centro de tecnologia e empreendedorismo, apontada por muitos como o próximo Vale do Silício. Depois de empresas como a Uber e a Huawei, o Google foi mais um gigante da tecnologia a montar uma base em Lisboa em 2018. Para os nômades digitais que preferem trabalhar fora dos escritórios corporativos, Lisboa oferece vários espaços de coworking, como o Avila Spaces (vencedor do prêmio de melhor espaço de trabalho no sul da Europa em 2019), o Heden e o Workhub em Lisboa (localizado em uma antiga fábrica de vinhos que combina esteticamente o charme antigo com o moderno). Cafeterias, como a Copenhagen Coffee Lab, a DeBru e a Mill, que possui uma grande mesa comum geralmente reservada para os nômades digitais, não servem apenas uma xícara de café com deliciosos petiscos, mas também oferecem acesso Wi-Fi de alta velocidade (uma média de cerca de 21 Mbps). A comunidade de nômades digitais do país organiza várias atividades, como oficinas de habilidades, microfones abertos e stand-ups, além de atividades sociais como plantações de mudas e doações de sangue.

É muito mais do que apenas um destino favorável ao digital

Só porque Lisboa é um centro de atividades empresariais, não significa que a cidade não seja divertida. Na verdade, Lisboa é uma das capitais mais acolhedoras do mundo, com muita arte e várias atividades que podem ser aproveitadas de maneira coletiva ou individual. A capital de Portugal também foi classificada entre as 15 cidades mais acolhedoras do mundo para a comunidade LGBT, segundo uma pesquisa realizada em 2017 pelo site Nestpick. Definida como uma cidade agitada e famosa pela variedade de azulejos com cores fortes e vivas, Lisboa respira arte e cultura. Desde as aulas revigorantes de ioga pela manhã até a música ao vivo, a arte urbana e as ruas tranquilas que ganham vida à noite (devido às leis flexíveis para bebidas), sempre existe algo acontecendo na cidade portuguesa. 

Mesmo se você se cansar da vida urbana (duvidamos que isso aconteça) ou se precisar de um descanso de todas as atividades, há uma série de destinos calmos e inusitados, como a cidade histórica de Sintra ou o retiro costeiro de Cascais, que ficam a apenas uma hora de carro de Lisboa. No entanto, o trem é o meio de transporte mais prático e acessível para os destinos fora da cidade, principalmente se você não quiser passar pelo estresse de dirigir ou buscar uma vaga de estacionamento. Dentro da própria cidade, você pode aproveitar uma enorme frota de cerca de 600 ônibus ou fazer um passeio no famoso sistema de bonde da cidade, em funcionamento desde 1873. Apesar de recomendarmos fortemente o passeio a pé para desfrutar a paisagem colorida da cidade e suas ruas de paralelepípedos, pode ser cansativo depois de algum tempo por causa da inclinação do relevo da cidade. Uma outra alternativa são aplicativos, como o Cooltra que oferece serviços de compartilhamento de motos e até permite o aluguel de patinetes elétricos.

Permissões de trabalho e residência por investimento

Talvez a única grande desvantagem de trabalhar em Portugal seja o processo para conseguir um visto. Além da população europeia, apenas os indivíduos de alguns países, como Reino Unido, Estados Unidos ou Canadá, podem viajar por mais de 90 dias sem visto para Portugal.

Muitos passaram a optar por vistos, como o D2, o D7 ou o Golden Visa Português (PGV), que permitem morar e residir em Portugal. No entanto, os indivíduos com maior poder econômico entre os nômades digitais optam, na maioria das vezes, pelo PGV, principalmente porque esse tipo de visto proporciona uma maior liberdade para viajar na região da União Europeia, exigindo que você permaneça no país por uma média de apenas 7 dias por ano. Com a possibilidade de investir em um lugar próprio, o visto também oferece soluções para várias questões, incluindo hospedagem, tempo de processamento de visto e até benefícios fiscais para seus rendimentos (por meio do regime de residência não habitual). Outros benefícios que acompanham o visto de investidor são a possibilidade de incluir pais e filhos como dependentes em uma única petição, o acesso a sistemas de saúde e educação e oportunidades de investimento exclusivas na Europa. Há uma esperança de que Portugal crie um visto de nômade digital em um futuro próximo, mas até lá, o PGV continua sendo a opção de visto preferida, pelo menos para os nômades digitais com alto poder aquisitivo.

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